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7 pecados que não se deve cometer na redação do ENEM

Publicado em 06/12/2020

Muita gente ainda sofre quando se vê na iminência de redigir um texto. Quando o assunto é redação para o Exame Nacional do Ensino Médio (o ENEM), a situação ainda pode ser pior, pois há alguns detalhes a mais que o aluno precisa conhecer.

Doutor em Letras, Pablo Jamilk listou os 7 pecados que os alunos mais cometem na redação do ENEM, e conta como evitá-los. 

 

 1 – GULA

O pecado da gula na redação se traduz naquele indivíduo que quer colocar todas as ideias no texto. O erro aqui consiste em não conseguir aprofundar os argumentos apresentados. Uma das competências de avaliação do texto consiste em conseguir explorar as ideias por meio das mais diversas áreas do conhecimento. O guloso apenas tenta enfiar goela abaixo todas as ideias que vêm à mente sem uma seleção adequada daquilo que deveria escrever. A dica aqui é MENOS É MAIS: menos pontos argumentativos geram mais possibilidade de exploração dessas ideias. 

 

2 – AVAREZA

Avarento é aquele que cobiça os bens materiais e os cultua antes de qualquer coisa. Na redação, o pecado da avareza se traduz guardar para si os significados daquilo que se escreve. Uma redação boa possui clareza naquilo que o autor pretende explicar. Não se pode achar que determinado assunto seja de “conhecimento de todos”. É fundamental esclarecer conceitos, siglas, identificar os autores das citações, de maneira a tornar o texto sempre compreensível por parte de quem o vai corrigir. A dica é: pense que o seu corretor não sabe nada sobre o assunto e explique TUDO para ele compreender. 

 

3 – LUXÚRIA

Luxúria é sinônimo de imoralidade. Nesse aspecto, eu preciso deixar claro que todo texto voltado ao ENEM deve se pautar pela inserção de argumentos que não sejam contrários ao que se entende hoje como o “politicamente correto”. A expressão não é das mais agradáveis, porque já foi muito deturpada pelo senso comum, mas é preciso pensar em algo como “manter a postura” durante a escrita. Não se pode partir para propostas de intervenção que sejam ofensivas ou que – de alguma maneira – possam significar o cerceamento dos direitos de algum cidadão. A dica é: pense que você está do outro lado do problema e como gostaria de ser tratado. 

 

4 – IRA

O pecado da ira se traduz no revanchismo que algumas pessoas têm acerca de determinados assuntos. Vou dar um exemplo: certa vez, houve um tema sobre a “persistência da violência contra a mulher”. Muita gente pensou que isso fosse um tema de “mi mi mi”. Esse povo decidiu escrever argumentos, tentando indicar que não havia violência contra a mulher e que se tratava de algum tipo de exagero por parte de alguns polemistas. Resultado: todos esses que tentaram minimizar o problema ZERARAM a redação. Se o tema pede para falar sobre algo, não se pode dizer que esse algo não existe. Por fúria, muita gente foge do tema. A dica é: mantenha a calma na hora de selecionar a sua tese. 

 

5 – INVEJA

O pecado da inveja na redação significa não aceitar quais são seus limites da escrita e desejar a redação do “outro”. Muita gente cai no risco de tentar “decorar” redações que consideram “perfeitas” para usar no momento da prova. Quais são os riscos? Esquecer uma frase pode fazer esquecer o texto todo. Os corretores já começaram a identificar que há profissionais de produção de texto com argumentos prontos. Isso será duramente penalizado, pois uma das exigências para a nota máxima é traço de autoria. A dica é: trabalhe a sua forma de escrever. Inspire-se em outros textos, mas não os copie literalmente. 

 

6 – PREGUIÇA

O pecado da preguiça se traduz em o indivíduo não querer pensar para escrever. Como assim? O aluno decora algumas citações batidas de escritores brasileiros ou algo do tipo e tenta começar sua redação sempre da mesma forma: introduzindo uma citação que sequer se relaciona com o conteúdo do texto que escreveu. A dica é: busque diversas fontes bibliográficas para ter um arcabouço de citações ou recursos argumentativos que destaque você da multidão. 

 

7 – VAIDADE

Muito ligada ao orgulho, a vaidade na redação consiste em o indivíduo achar que o seu texto é sempre o melhor. Achar que o corretor não entendeu o que você quis dizer. Achar que seu texto não recebe a nota que merece. Entenda algo fundamental: não importa o que você quis dizer, importa o que você ESCREVEU efetivamente. É isso que se analisa na correção da sua redação. A dica é: aprenda a fazer sua autocrítica na redação. Todos podemos melhorar! 

 

Pablo Jamilk: Professor. Doutor em Letras. Atuante no mercado digital desde 2010, leciona para alunos do país inteiro, que por meio de suas aulas online, cursos e palestras, buscam alcançar bons resultados no ENEM, em concursos e vestibulares. 

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